10 maneiras de lidar com a ansiedade




Como lidar com a ansiedade,
Por Fernanda Campos,
Psicóloga formada pela Universidade Federal de São João Del-Rei

A ansiedade é o mal do século – dizem. A maior parte das pessoas que procuram tratamento psicoterápico chega na clínica assim: “não aguento mais minha ansiedade”. Embora cada um defina de um jeito único e abordagens teóricas compreendam o fenômeno de maneiras distintas, todos querem uma coisa só: a solução. Que, quase sempre, é bem mais difícil de encontrar do que pode parecer.

A ansiedade é algo que precisamos ter – ela nos avisa do perigo e prepara nosso corpo para a fuga. No entanto, a exigência cada vez maior do mercado de trabalho, do mundo globalizado, da faculdade, de nós mesmos, tem tornado o que era natural em algo que nos paralisa: o coração acelera, a garganta aperta, o ar parece não ser o suficiente, o estômago dói e a gente não consegue fazer nada do que disse que faria. As acusações de que é frescura não melhora o sentimento incapacitante e, encolhidas no quarto, cada vez mais pessoas tentam lidar sozinhaS com uma sensação que atravessa e corrói por dentro, minando a vontade de sair da cama e encarar os problemas que tiraram a sensação de controle do dia.

É na terapia que cada um vai construir e desconstruir as razões da ansiedade atacar – e esse caminho é algo que se faz em diálogo com o psicólogo, numa narrativa nem sempre bonita e, quase sempre, dolorosa. Mas há formas de lidar melhor com a ansiedade além da clínica, ainda que não substitua o tratamento.
1- Calma. Antes de entrar em desespero (que só piorará as sensações) tente clarear a mente pensando qual a importância de você fazer qualquer coisa no estado que você está: se é um trabalho com data de entrega ou uma saída com os amigos para relaxar, você concorda que tem pesos diferentes, não é? Cancele compromissos que possa cancelar.

2- Tome um banho quente. A água morna libera oxitocina, o mesmo hormônio que conseguimos com abraços e beijos de quem gostamos e que nos dá a sensação de bem-estar. Se tiver tempo, lave o cabelo, massageando, sem pensar no tempo que está dentro do banho. Cuide de você e do seu corpo exterior. Isso fará seu interior se sentir mais amado.

3- Faça um chá (de camomila, de preferência, para desacelerar). Evite cafeína (aliás, se você tem crises de ansiedade recorrente, tente não tomar café depois das seis da tarde, optando por suco ou outra bebida mais saudável. A cafeína em excesso pode desencadear crises ansiogênicas e evite o quanto puder evitar).

4- Crie uma playlist de músicas calmas e leve com você. Pode ser sons da natureza, instrumentais ou acústico. Opte por músicas sem tantos agudos, baterias e mixagem. É hora de acalmar o coração.

5- Coloque uma roupa que você gosta e que te faça sentir-se confortável. Por mais estúpido que possa parecer, vai te fazer ficar mais seguro dentro do próprio corpo.

6- Durante a crise, olhe para cinco coisas seguras no lugar onde está. Toque quatro coisas que pode tocar. Beba alguma coisa. Escute sua respiração. Deixe seu corpo perceber que você está num ambiente seguro e ele vai desacelerar.

7- Se puder ficar em casa, fique. Coloque uma série ou filme que você gosta e te faz relaxar. Não precisa necessariamente prestar atenção nas frases: a dica é se sentir segura e confortável, não pensar. Por isso, opte por histórias que já conhece.

8- Colorir tem produzido resultados na maior parte das pessoas. Então, se ainda não tentou, tente. Compre aqueles livros como “Jardim Secreto”, uma caixa de lápis de cor, coloque a playlist feita na dica de cima e sinta o lápis preencher a folha. Você vai afastar sua atenção da sensação de ataque e seu corpo perceberá que não tem perigo por perto.

9- Exercícios físicos e ioga podem ajudar no dia a dia. Ambos vão ensinar como respirar – e, acredite, a maior parte das pessoas não respira corretamente – e a respiração calma acalma as reações corporais, diminuindo o impacto da crise de ansiedade.

10- Se nada disso funcionar, não hesite em procurar ajuda profissional.
Essas são dicas para lidar com a crise, mas você só vai descobrir a causa delas se tomar coragem para investigar, e para isso o psicólogo é imprescindível. Também não há problema em utilizar de remédios por um tempo, mas, se for o caso, lembre-se de levar o tratamento a sério, seguir as indicações do psiquiatra e encarar a terapia. O remédio só ajuda até certo ponto – o resto da caminhada só pode ser percorrido por você.




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