Quero me embriagar para não sentir os pedaços que me faltam do sentir




Me sinto partida em vários pedaços,
Sinto que há várias partes de mim espalhadas por aí.
Estão tão por aí, que parece que não estão mais aqui dentro.
Parece que só restou um oco, algo vazio que eu preciso preencher de alguma forma, com alguma sensação de entorpecimento.

Quero me sentir totalmente embriagada, 
Para não sentir nada.
Quero tragar algo,
Para sentir que ainda há algo em mim que possa ser tragado.

Quero sumir,
Preciso que essa sensação suma de mim,
Que desapareça daqui,
Que me deixe em paz, para que eu possa colocar a minha vida nos trilhos novamente.

Não quero ser mais a garota problemática.
Não quero ser a pessoa que estraga os rolês.
Não quero sentir o que eu sinto,
As várias emoções inexplicáveis, o intenso vazio.

Eu não escolhi estar nessa posição.
Não pedi para que isso acontecesse.
Por que eu?
Por que tão sozinha?

E essa sensação horrível de que ninguém me entende, mesmo já tendo passado pela adolescência e estando mais perto dos trinta do que dos quinze?
Por que não consigo me tornar a pessoa inteira que eu era?
Quando foi que tudo ficou tão pesado
E parou de fazer sentido?

Agora eu só queria um colo de mãe,
Um afago do cheiro do seu perfume,
O toque do carinho e dedicação
E aquela mágica que só ela tem para me ajudar a pegar de volta meus pedaços.

É pensando nela que eu nunca fiz nenhuma besteira,
É me apoiando nela que não acabei com esse sofrimento.
Ela é uma âncora pintada de girassol:
Brilha em mim e é porto seguro.

Eu só quero meus pedaços de volta,
Só preciso não sentir tudo isso,
Porque é demais para mim
E eu não sei se consigo.

Só mais um dia,
E, talvez, o amanhã seja um mar mais calmo dentro de mim
Do que o dia de hoje.
Um dia por vez...

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