Comprimidos aliviam a dor, mas só o amor alivia o sofrimento

"Comprimidos aliviam a dor, mas só o amor alivia o sofrimento.”
Patch Adams - O amor é contagioso - 1998.




Li essa citação no início de um capítulo do livro "O tipo certo de garota errada", da A.C. Meyer, escritora carioca, logo após uma sessão de terapia.
Um tiro doeria menos.

Me lembrei de quantos comprimidos tomo por dia.
Tirei cada um de suas respectivas caixas e coloquei em cima de um pratinho.
Contei.
Multipliquei pelo tempo que tomo.

Minha cabeça deu uma volta de 360º e se voltou para todas as psicólogas que frequentei,
Todas as sessões em que fui,
Os meses que tenho ido em consultas psiquiátricas,
Entre erros e acertos com adições de remédios.

Parei, respirei, chorei.
Pensei em como tudo poderia se resolver com amor genuíno de quem me causa dor,
Com afeto de quem foi abusivo,
Me culpei por querer tudo isso, por pensar assim.

Nunca uma frase fez tanto sentido em minha vida, no momento atual.
Perdi a contagem do miligramas de remédios,
Que me fazem ter que tomar outro remédio, para impedir que adoeça o meu estômago,
Mas que, para o meu abusador, não faz a menor diferença.

Me dei conta de que sou só uma criança precisando de amor,
Um pedido de desculpas,
Um estabelecimento de uma relação saudável entre pai e filha.
Me senti tão pequena diante dessa descoberta...

A minha criança acredita e pede por afeto,
A mulher que me tornei, repele quem não consegue me entregar afeto.
Os remédios que tomo, não acabaram com as minhas crises,
Mas talvez o amor a minha criança, entregue à minha mulher, aliviaria tamanho sofrimento.

Todo o vazio que eu sinto,
Nenhum remédio, trabalho, exercício, terapia ou comida irão resolver.
Dizem que só o amor cura,
Então me cura, pai, me tira alivia esse sofrimento?

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